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Restinga Sêca e sua origem

Restinga – Orla de bosque ou mato nas baixadas, à margem de arroios ou sangas.

A origem do nome vem de uma Sanga denominada Passo da Porteira.

Esta sanga em certas épocas do ano ficava com pouca água e cortava o seu curso. Daí vem a palavra Seca.

Embora não houvesse estação, os trens tinham parada obrigatória para o abastecimento de água às locomotivas, isso fez que por longo tempo nossa sede fosse chamada de CAIXA D´ÁGUA. Comprovando o que esta dito, transcrevemos o texto de uma carta de Domingos Mostardeiro, escrita para sua esposa, dona Antonia Becker Mostardeiro.

Porto Alegre, 2 de junho de 1898

Antoninha,
Não posso mais suportar esta cidade, penso que no domingo seguirei daqui e irei até Arroio do Só ver a máquina de tijolos que o Pedro Barcelos pede 700.000, assim é preciso tentear o Schifelbein, é provável que eu volte para Restinga na terça e terei tempo de ajustar contas com o Justino Martins e mesmo preciso de estar aí a fim de cuidar de embalsamar as madeiras.

O escritório da estrada já está em Santa Maria e eu pretendo ir até lá junto com mais alguns companheiros a fim de pedirmos para ser aberta a estação na Restinga.

Pelo Justino Barcelos mandei dois retratos de Antonieta e João. O câmbio parece querer subir, é opinião de muitos; avisa o Dr. Pelo portador deste remeto os bicos.

Fritz chegou hoje vindo embarcado do largo de Santa Cruz.
Amanhã remeto para Arroio do Só o arame, moinho, etc.
Teu Domingos

O moinho em referência ainda existe e foi doado ao Museu Municipal de Restinga.
Como nesta época ainda não havia estação ferroviária, todo o transporte procedente da capital do Estado ou de outras cidades, para aqui destinados por via férrea, só podia ser desembarcado nas Estações de Jacuí, Estiva ou Arroio do Só. Daí, eram conduzidos por meio de transporte adequado à região (carreta, carroça ou lombo de burro).

Em tais condições pode-se muito bem avaliar as dificuldades que eram enfrentadas pelos primeiros moradores, que então sentindo a grande necessidade de uma Estação Ferroviária, foi quando então, conforme vimos na carta anterior, reuniram-se no mês de junho daquele ano, e , chefiados por Domingos Gonçalves Mostardeiro, dirigiram-se para Santa Maria, a fim de entenderem-se com os engenheiros e diretores da Viação Férrea, no sentido de conseguirem que fosse aqui construída uma Estação. Os restinguenses foram muito bem sucedidos, pois, pouco depois, foi inaugurada a Estação, tendo como seu primeiro agente o sr. João Antonio da Cunha, então telegrafista na Estação de Rio Pardo.
A estação da Viação Férrea do Rio Grande do Sul foi instalada no dia 27 de julho de 1898, tendo como agente o sr. João Antonio da Cunha e como guarda chave, o sr. Nodário José Machado.

A primeira escola pública a pedido do sr. Mostardeiro é criada pelo Dr. Viriato Viana, sendo a primeira professora, dona Leonor Pires de Macedo.
O primeiro transporte foi do sr. Thomas Pedron e esposa Carolina Pedron. O itinerário era Formigueiro, Dona Francisca, Agudo e São Sepé. Os passageiros dos trens entre Santa Maria e Porto Alegre, faziam a baldeação em Restinga Seca. Enfrentavam as distâncias em vagarosa, mas eficiente carroça. As estreitas passagens por picadas de matos eram perigosíssimas. Isto há uns 100 anos aproximadamente.

 Fonte: Jornal Tribuna de Restinga - edição de 25 de março de 2011

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